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Friday, 9 November 2012

Review: Ângela Ferreira: Stone Free

Marlborough Contemporary
Ângela Ferreira: Stone Free


O fio para a resolução da proposta apresentada por Ângela Ferreira, em “Stone Free”, passa por abraçarmos a ideia de vazio e explorar formalmente as estruturas de espaço. A artista apresenta-nos unicamente duas premissas. A primeira é constituída por duas imagens fotográficas de duas estruturas de espaços vazios retiradas da Internet, acompanhadas por duas esculturas que representam e transportam os espaços para outra dimensão formal. A segunda, é a primeira música composta pelo guitarrista afro-americano, Jimi Hendrix quando chegou a Inglaterra, em 1966, “Stone Free”, título que também dá nome à exposição.

A primeira fotografia – “Stone Free: Cullinan Diamond Mine, Gauteng Province, South Africa. Opened in 1902, where the Cullinan Diamond was found. Thanks to Paul Parsons.” – é uma imagem aérea, de Paul Parsons, das minas a céu aberto de Cullinan, na Africa do Sul, onde, em 1905, foi descoberto o Cullinan Diamond, na altura a maior gema jamais encontrada, com 3,106.75 quilates (621.35 gr.). O diamante foi posteriormente dividido em múltiplas gemas mais pequenas, a maior das quais, a Grande Estrela de África (Great Star of Africa), possui 530.2 quilates (106.4 gr.). As gemas fazem parte das jóias da coroa britânica. Em 1985, foi descoberto nas mesmas minas o Jubileu Dourado (Golden Jubilee Diamond), de 545.65 quilates (109.13 gr.), que é actualmente o maior diamante lapidado do mundo). As minas são consideradas mundialmente como a mais rica fonte de diamantes azuis do planeta.

A segunda imagem – “Stone Free: Chislehurst Caves, Kent, England, First reference circa 1250. In the 1960s, the caves were used as a music venue: Jimi Hendrix played there in 1966 and 1967... . Thanks to Samantha Breuer, Fern Warriner and Spike Blake.” – é das grutas de Chislehurst. Particularmente, do palco onde, durante as décadas de sessenta e setenta do século passado, grupos como os Pink Floyd, os Rolling Stones ou David Bowie acturam ao vivo. Localizadas no Sudeste de Londres, as grutas são um misterioso labirinto de 35km composto por salas e passagens escuras feitas pelo homem ao longo de um período de oito séculos. Às histórias sobre os povos Saxónicos, Druidas e Romanos juntaram-se, durante a Segunda Grande Guerra, os vestígios das populações de Londres que procuravam refúgio aos bombardeamentos Nazis. Actualmente, para além de visitas guiadas, o local serve para recriações históricas ou como cenário de filmes e séries televisivas britânicas. Foi também neste local que, em 1966 e 1967, Jimi Hendrix tocou ao vivo.


Com as duas esculturas, “Stone Free”, associadas às duas imagens fotográficas, Ferreira estabelece uma relação em que abraça o vazio deixado pelas formas e concebe estruturas formais. Espaços tridimensionais desenhados de dentro das estruturas dos espaços vazios para fora, do fundo das grutas – buraco, no caso da mina de Cullinan, e palco, no caso da gruta de Chislehurst – para o exterior. Criam uma grelha simultaneamente dinâmica e estática que permite-nos enquanto observadores, ao sermos confrontados com a obra, apreendemos que o espaço de observação da obra, ou seja, a nossa posição na exposição, se concretiza num espectador fisicamente situado no ponto onde a artista virtualmente visualiza as estruturas formais do espaço vazio. Estamos no espaço intermédio entre a imagem e a escultura, entra a ideia abstracta e a forma concreta.

Apesar de existir uma distinção interpretativa entre o tempo de concepção da obra e o tempo de observação da mesma, a interpretação das premissas, em ambos os casos, sejamos os criadores ou os observadores, pressupõe uma responsabilidade individual – na nossa singularidade universal – no acto da deslocação de um espaço de tempo em que o abstracto toma uma forma para um espaço onde as possibilidades de uma interpretação são um posicionamento contingente à própria obra. O que faz de nós, os observadores, cúmplices e co-responsáveis pelos excessos críticos que se sobrepõem à obra através das múltiplas determinações de possibilidades significativas. Ou seja, não existe uma linha narrativa. Existem múltiplas possibilidades de interpretações tangenciais.

À tradição conceptual e minimal da arte, Ângela Ferreira junta um certo humor resultante de uma experiência muito particular sobre colonização e sobre as questões coloniais e do pós-colonialismo. A artista sobrepõe a estrutura rígida da expressão ligada à propaganda. Em toda a exposição há uma duplicidade entre a imposição propagandista, as estruturas de propaganda, e a estrutura minimal de veiculação de uma experiência universal, não conforme, para todo o Homem, independentemente da cor, raça, credo, etc... Uma solução tangencial poderá ser: “Start of Africa” = o diamante e o músico. Esta duplicidade indutiva encontra-se sintetizada na instalação Stone Free: Hendrix Shaft, uma estrutura em alumínio particularmente semelhante às expressões da força produtiva e da cinematografia, bem como às estruturas de captação e difusão do poder das vanguardas russa, por exemplo, virtualmente projectadas sobre uma imagem fotográfica de Jimi Hendrix à saída das grutas de Chislehurst.

Este jogo ambivalente de poder e contraculturas é encerado pela artista na série de desenhos sobre papel Stone Free: drawing 1-5. Neste, Ângela Ferreira estuda formas de associar o mapeamento dos dois espaços e de fazer coincidir formalmente as duas histórias, no sentido de fazer convergir as utopias modernas. Apesar de, em alguns momentos, existirem confluências e contingências possíveis, as duas formas dificilmente se encontram na sua totalidade e formam um estrutura única. Prevalecem independentes. É um projecto impossível de realizar. Também, neste caso, com esta exposição, é a história concebida pela artista e a história idealizada pelo observador.

Subjaz a ideia de labirinto e de jogo, que incorpora muito de simbólico, de nos perdermos e voltarmos a encontrar. Representa escuridão e luz, desejos e caos. Ao entrarmos no labirinto proposto por Ferreira encetamos uma viajem indutiva da vida individual. Ao percorremos o mapa desenhado pela artista, unicamente pontuado por registos formais, mas não delineado, exponenciamos a multitude de interpretações através das formas concretas, até encontrarmos o espaço desejado na universalidade de soluções possíveis e disponíveis.

A exposição de Ângela Ferreira, Stone Free, é a sua primeira exposição individual em Londres e a primeira exposição da galeria Marlborough Contemporary, recentemente inaugurada.

Photos: © Francis Ware 2012
Published at Molduras: as artes plásticas na Antena 2: Ângela Ferreira : Stone Free.

Wednesday, 17 October 2012

The challenge

The world's most valuable resource is human talent. No country growths enough of it. However, we're loosing it to other countries. For every generation lost, it would take more than three decades just to recover back to the starting point. This time the generation is highly qualified, professional, competent, serious and knowledgeable. So the impact would be even negatively stronger since their will be no legacy left to future generations. School books will stay the same for years to come. The transmission of knowledge and know-how will get older and up-dated; stuck in a dusty basement of an empty building. Those countries receiving this valuable wealth enjoy from the colossal achievements brought by us: we come; we study; we work; we are entrepreneurs setting up business; we create jobs; we bring wealth and give it all back in to this new society.

Saturday, 29 September 2012

Ângela Ferreira



«Ângela Ferreira’s first solo show in London also marks the launch of Marlborough Contemporary, located above Marlborough Fine Art’s historic gallery.

Ferreira’s work incorporates diverse materials and histories. Sculptural forms often present other research media, such as film or photography. The work references modernist and architectural precedents, their relationships to post-colonial narratives and displaced utopias.

Stone Free links two holes, two spaces, two locations. The Cullinan Diamond Mine, source of one of the largest diamonds ever unearthed, acts as the first reference point for the show. Loaded with symbolic value, mines in South Africa have always appeared as powerful images of the political and economic structures that they sustained. The Chislehurst Caves in South East London are a warren of mines and tunnels that became a site of counter-culture in the Sixties. Jimi Hendrix, who performed there, is a key figure for the exhibition, bridging not only musical cultures, but also an African American identity via an adopted home in London, just yards from the gallery. One of his songs lends the show its title.


How to represent a hole in material terms? For Ferreira these excavations might be interpreted as negative monuments attesting to the paradoxical history of human desires, presented as a social and critical space.

Born in Mozambique, with Portuguese and South African heritage, Ferreira lives and works in Lisbon. Her retrospective, No Place At All, took place at the Chiado Museum in Lisbon in 2003. In 2007 she represented Portugal in the Venice Biennale with Maison Tropicale, now housed in the Museion, Bolzano. In 2008 she was selected for the São Paulo Biennial. Current commissions include projects at the Walther Collection, Ulm and at the Haus der Kunst, Berlin. Her work is represented in many international collections, from the FRAC Bretagne in France to the National Gallery of South Africa.»