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Saturday, 11 December 2010

newsfrom...201012


With approximately fifteenth thousand visitors to Lisbon Art Fair - these belong to their public more than to entrepreneurial business associations or hollow promotion strategies implemented by ramshackle houses - the market has surprised everyone. Apart for the supranational reasons that had keep occupied the national and global media at the previous fair's place, the paradox lies in that although Portugal is living through moments of deep sociological crises and in a time of intense financial difficulty, art lovers came and have bought a lot more than in previous years, whilst collectors and art dealers have engaged in greater than normal financial risks. Gladly! People understand that if they have cash it is better to buy art works - instead of putt it in a bank which bring very little interest, while the stock market is a tricky place to gamble. In the end, art and real estate are very good investment funds. Art is not only a good investment, but you will have an artwork on your wall which you can look at everyday and which brings awesome pleasure.

Thursday, 25 November 2010

newsfromlisbon201011


Amongst collectors and public in general it was curious to see ARCOmadrid director's wandering around the site, whereas the Espacio Atlantico team were seen drinking at the idle fair's lounge.

Friday, 12 November 2010

newsfrom...201011

A boa notícia relativa à edição deste ano da Arte Lisboa é que vamos ter um novo local de exposição. A feira de arte realiza-se no Pavilhão do Rio do Centro de Congressos de Lisboa (a antiga FIL), um espaço mais condizente e que reflecte melhor a vitalidade da cena artística portuguesa, do que o seguidismo-ibérico e obtuso espaço no Parque das Nações.

Uma alteração devido mais às contigências do momento, a cimeira da NATO, do que às capacidades de gerência em melhorar um serviço, promover uma experiência. Ou seja, um "desenrascanço" bem Português.

Depois de frívolos ciclo de conferências, inócuos show-rooms, este ano a atenção volta-se para uma plataforma paralela mais acessível de criadores emergentes e de artistas com carreiras afirmadas, e para os espaços alternativos de apoio à criação artística... (pelo quinto ano consecutivo, a FIAC e o Museu do Louvre apresentaram no coração do Jardin des Tuileries, o seu programa de obra de exteriores. Estavam reunidos vinte e oito projectos, uma combinação de instalações, esculturas, performances e obras sonoras, que tomavam forma ao interactuar com o público)

Para quando uma estratégia de interesse comum em defesa do mercado da arte contemporânea português, uma linha orientadora exportadora?

A segunda notícia sobre este evento, é que não há mais notícias sobre este evento ... a não ser que ...

Tuesday, 8 December 2009

Uma oportunidade perdida

“Não se passa nada!”, foi o comentário de uma personalidade reconhecida no mercado internacional da arte, oriunda de Espanha, sobre a Arte Lisboa deste ano. Além dos dados quantitativos que crescentemente têm vindo a justificar o maior número de visitantes à feira de Madrid, a ARCO, comparativamente a Lisboa; a Arte Lisboa – Feira de Arte Contemporânea, este ano, foi mais uma oportunidade perdida de apresentar uma feira de arte contemporânea viva, localizada em Portugal.

Como um lugar reservado para expor, vender e comprar arte contemporânea é notório, na feira de arte: o retorno aos materiais tradicionais (escultura, pintura, desenho, etc.), e a exclusão de novos materiais de suporte tecnológico ou interventivos (mas esta é a situação actual em qualquer feira de registo a nível internacional); salvo excepções, muitos dos conteúdos apresentados pela maioria das galerias seleccionadas estão atentos à modernidade, e não à contemporaneidade, ou à altermodernidade (como define o crítico francês Nicolas Bourriaud); os preços praticados inseriam-se dentro da normalidade do consumo interno; e, desde 2001, é crescentemente perceptível, a nível programático, a diminuição de uma preocupação estratégica, por parte da entidade organizadora, que faça o público absorver-se num evento, concebido para promover e divulgar a arte contemporânea portuguesa.

E, pior, a saída neste espaço é sempre visível.

Published at NS'204/IN#100, Mercado da Arte (70), (Diário de Notícias N.º 51378 e Jornal de Notícias N.º 187/122), 5 de Dezembro de 2009 Portugal © Jasmina Cibic, Tourists Welcome (it’s good being first), 2007 Courtesy: Galería adhoc

Wednesday, 18 November 2009

Duas visões sobre o mercado da arte em Portugal

Arlete Alves da Silva
«esta é uma boa altura para investir em arte»


A
Galeria 111, com uma actividade ininterrupta desde 1964, é uma das mais antigas no mercado nacional. Com dois espaços em Lisboa e um outro no Porto, a galeria representa artistas conceituados como Paula Rego ou Graça Morais. Entretanto, Maria Arlete Alves da Silva e Rui Brito, directores da galeria, também estão associados a artistas com um percurso já estabelecido no mercado artístico, como Rigo 23 ou Fátima Mendonça. Mas provavelmente o seu maior desafio passa por apresentar jovens artistas, como são Gabriel Abrantes (Prémio EDP – Jovens Artistas 2009), Francisco Vidal ou Samuel Rama, num programa de artistas consagrados e estabelecidos.

Questionada sobre o recente boom e o posterior crash do mercado artístico no presente contexto económico, Maria Arlete Alves da Silva respondeu:

«Esta é a minha quarta crise. A primeira grande crise foi com o 25 de Abril. Nos anos anteriores, a par do investimento bolsista, as obras de arte tinham tido uma grande valorização, porque dada a melhoria económica do país começaram a aparecer coleccionadores e, pela primeira vez, havia um mercado de arte. Nesta crise tanto a Bolsa como a Arte tiveram um colapso. Nos tempos que se seguiram, as perdas no investimento bolsista foram irreversíveis mas as obras de arte, que também sofreram os seus revezes, passado algum tempo tiveram uma valorização enorme.

Anos depois (anos 80 e anos 90) tudo se repete na Arte e na Bolsa, depois de períodos de euforia seguem-se períodos de depressão. E mais uma vez estamos a enfrentar uma nova crise. Este é um bom momento para reflectir sobre o investimento na arte. Nos últimos tempos as obras de arte foram tratadas como um produto financeiro e alvo de todo o tipo de especulações por parte de artistas, galeristas e leiloeiros. Todos nós assistimos a verdadeiras operações de marketing, que culminaram no famoso leilão das obras de Damiem Hirst [Beautiful Inside My Head Forever realizou-se nos dias 15 e 16 de Setembro de 2008 na Sotheby’s de Londres]. Formaram-se empresas para adquirir as suas obras e o próprio artista também integrou o núcleo de compradores. Tudo apoiado por uma enorme campanha publicitária. Aparentemente, as obras atingiram preços exorbitantes mas a realidade parece ser bem diferente. Este forçar do mercado é altamente prejudicial. Este artista atingiu preços que nos anos mais próximos não terão mercado.

Em Portugal não houve exageros tão grandes. Há artistas e galeristas que aumentaram as cotações acima da valorização normal e esses vão ter que fazer ajustamentos mas, na sua maioria, prevaleceu o bom senso.

É pois uma boa altura para investir em arte. Nas três vertentes – imobiliário, Bolsa e arte – esta é a que está menos sujeita a flutuações. Quando bem escolhida é o investimento mais seguro e rentável que existe. Não se deve esperar uma rentabilidade imediata sobretudo se se investe em jovens artistas. Ao fim de dez anos há normalmente uma grande valorização.

Maria do Carmo Oliveira
«os artistas com quem trabalho são inspiradores»

A galeria MCO Arte Contemporânea surgiu no Porto em Outubro de 2005. Ao dirigir essencialmente a sua programação para a arte emergente e experimental a directora da galeria, Maria do Carmo Oliveira, criou um espaço que está a marcar a diferença no universo artístico nacional pela sua originalidade, ao promover uma nova geração de artistas radicados no grande Porto, como Arlindo Silva, Fabrízio Matos ou Sofia Leitão, entre muitos outros.

Quando é que percebeu que queria ser galerista?
Em 2005, ano em que abri a galeria.

Qual foi a sua primeira grande venda?
Para mim todas as vendas são significativas.

Qual o seu pior momento como galeristas?
Tenho uma memória muito selectiva e por isso guardo apenas os bons momentos.

Quais os artistas que a inspiram?
Todos os artistas com quem trabalho são inspiradores, pois são criativos, trabalhadores e sérios e por isso fazemos um trabalho de inspiração e admiração mútua.

Que conselho daria a um jovem artista em início de carreira?
Trabalho, trabalho e mais trabalho.

O que são para si as Feiras de Arte?
São eventos essencialmente de promoção dos artistas e da galeria, onde se se tiver sorte talvez se vendam alguns trabalhos.

Published at NS'201/IN#097, Destaque (53-55), (Diário de Notícias N.º 51357 e Jornal de Notícias N.º 166/122), 14 de Novembro de 2009 Portugal © Martinho Costa, Space Shuttle (óleo sobre tela, 58x46cm), 2009 Courtesy: Galeria 111 e © Fabrízio Matos, Fragmentos de Diana (aguarela sobre gesso, 57x57cm), 2009 Courtesy: MCO Arte Contemporânea

Arte Lisboa, a invasão espanhola

O certame inscreve-se no panorama ibérico das feiras de arte ao concorrer directamente com as feiras-satélites da ARCOmadrid, que se realizam por toda a Espanha.

Algumas das galerias de arte nacionais mais representativas e dinamizadoras das novas tendências no mercado artístico, como a Galeria Pedro Cera (Lisboa) ou a Galeria Graça Brandão (Porto e Lisboa), e galerias representativas de artistas considerados de valores seguros no mercado, como a Mário Sequeira (Tibães, Braga) ou a Fernando Santos (Porto) não vão estar presentes na Arte Lisboa 2009 – Feira de Arte Contemporânea. Jovens galerias como a Caroline Pagès Gallery e a Marz, ambas de Lisboa, preferem apostar directamente no mercado internacional. Outras galerias, como a Cristina Guerra – Contemporary Art ou a Vera Cortês Agência da Arte, também têm posições distintas da Arte Lisboa.

Em 2001, a feira de arte contemporânea de Lisboa organizada pela APGA (Associação Portuguesa de Galerias de Arte) passou a estar sob a incumbência da FIL (Feira Internacional de Lisboa), através da AIP (Associação Industrial Portuguesa). Esta alteração na estrutura organizativa visava consolidar este evento como um certame internacional equiparável à feira de Madrid, a ARCO. Contudo, esta transformação da estrutura organizativa provocou de imediato mudanças nos critérios de selecção – os quais passaram a ser definidos por uma Comissão Consultiva, presidida pela AIP, e, entre outros, integrava o presidente da APGA. Também foi criado um regulamento e foram estabelecidos novos critérios de avaliação das candidaturas. Uma das consequências desta mudança foi a exclusão de muitas galerias nacionais, que, de acordo com a Comissão Consultiva da feira, não apresentavam os requisitos mínimos exigidos.

Com a dissolução da noção de nacionalidade e das fronteiras na sociedade contemporânea, actualmente a Arte Lisboa inscreve-se no panorama ibérico das feiras de arte, ao posicionar-se e concorrer directamente com as múltiplas feiras-satélites da ARCOmadrid, que se realizam por toda a Espanha, como o Foro Sur (Cáceres), a Arte Salamanca ou a Valencia Art. Para a AIP, «a mais interessante novidade desta edição é a forte participação de galerias espanholas». De um conjunto de 67 galerias, 33 são portuguesas e 31 espanholas. Em 2001 estiveram representadas 28 galerias espanholas e 26 galerias portuguesas.

De salientar três aspectos: o centralismo exacerbado nacional (Lisboa e Porto, com a excepção da Mário Sequeira, de Tibães (Braga), da António Henriques, de Viseu, e da Fonseca Macedo, da Ponta Delgada, Açores), confrontado com a periferia espanhola – um elemento caracterizador da Arte Lisboa –, este ano está mais diluído através da presença de espaços localizados no Estoril, Aveiro e Leiria. Ao contrário de Portugal, a participação espanhola em feiras internacionais é apoiada pelo instituto de espanhol responsável pela acção cultural exterior, o equivalente cultural espanhol da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). A participação de outros países na feira nacional é considerada redundante para esta contabilidade.

Published at NS'201/IN#097, Destaque (53-55), (Diário de Notícias N.º 51357 e Jornal de Notícias N.º 166/122), 14 de Novembro de 2009 Portugal © João Pedro Vale, Barometz (Suelly Cadillac), 2006 Courtesy: Galeria Filomena Soares and © Arte Lisboa 2007, Santos Almeida Courtesy: Arte Lisboa

Monday, 8 December 2008

Uma nova paisagem em emergência

Apesar do abrandamento nas transacções, de operações e resultados desiguais, o negócio continua

A crise no crédito bancário está fundamentalmente a redesenharam a paisagem económica e financeira mundial. O colapso da confiança nos mercados de crédito estruturado significa que haverá pouca ou nenhuma margem para os bancos e investidores. Similarmente, também são inevitáveis os efeitos, profundos, na paisagem artística. O mercado – representado principalmente através das galerias, leiloeiras e coleccionadores – vai ser forçado a repensar a sua forma de encarar a economia do sector artístico.

Desde 2003, o mercado para a arte contemporânea sentiu um crescimento (108% de acordo com a artprice), muito derivado da especulação económica e constantemente mediatizada pelos diferentes meios de comunicação externos ao mercado artístico. Nomeadamente no mercado anglo-saxónico, com artistas como Damien Hirst, Francis Bacon, Lucian Freud, ou Banksy. Facto com fraca expressão a nível nacional. No entanto, a muito do público especializado no mercado artístico apraz a presença de verdadeiros coleccionadores, sérios, conjuntamente com a manifesta ausência de qualquer especulação negativa.

Desta forma, a desterritorialização do território artístico terá como consequência a reterritorialização causada pelo desaparecimento das casas mais vulneráveis às flutuações e variações do mercado – naturalmente, os espaços que sofreram mais veemente da embriaguez que comandou as tendências e hábitos neste últimos anos e conotada com a especulação e mediatismo, por um lado; por outro, se a sociedade está à procura de novas formas e alternativas energéticas, se o sector financeiro está a diversificar as fontes de garante da sustentabilidade do sistema capitalista, também deve o sector artístico criar relações com a sociedade em geral nas suas mais diversas formas de expressão.

No contexto nacional e independentemente do número de visitantes, da manifesta ausência de muitos dos coleccionadores nacionais (tanto privados como institucionais), das comparações com ritmos económicos em tempos diferentes ou ainda da natural selecção do mercado - na feira ARTE LISBOA 2008 efectivaram-se transacções de bens. Concentradas em jovens emergente e valores com algum nome no mercado, em suportes mais tradicionais, como pintura, desenho ou escultura/instalações, e fotografia, como Ana Vidigal, Carlos Noronha Feio, Rodrigo Oliveira, José Maças de Carvalho, Cecília Costa ou Miguel Palma, entre muitos outros.

Ou seja, apesar do abrandamento nas transacções, de operações e resultados desiguais em termos de galerias e leiloeiras, e a um ritmo mais lento do que o habitual, o negócio continua.

Published at NS'/IN, Mercado da arte (74) (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), 6 de Dezembro de 2008 Portugal Photo João Paulo Serafim

Tuesday, 18 November 2008

Discussão e arte além da Feira

Ciclo de debates e secções paralelas interrogam a própria linguagem artística

A Feira ARTE LISBOA, em parceria com a ARTECAPITAL.NET, oferece um ciclo de debates concentrado em algumas ideias fortes: o coleccionismo de fotografia no mercado ibérico, a mundialização das feiras de arte, as novas formas de investimentos em arte e as virtudes e limites do pós-colonialismo na arte contemporânea. Este espaço de debate e confluência de ideias tem a participação de vários agentes artísticos: coleccionadores, galeristas, críticos, curadores, directores de museus.

Painting and other stories, linha orientadora e título da secção do Project Rooms, comissáriada este ano por Paco Barragán, reúne uma série de artistas que inquirem e interrogam o próprio meio pictórico: Rui Macedo, Rodrigo Oliveira, Fabrizio Matos, Inês Botelho, e Sara & André (Portugal); Toño Barreiro, Lídia Benavides, Chus Garcia-Fraile (Espanha); Ruth Root (Estados Unidos); e Steve Schepens (Alemanha).

Representado pela MCO Arte Contemporânea (Porto), Fabrizio Matos (1975) é um dos artistas incluído este ano no Project Rooms. Nas novas pinturas (1750 a dois mil euros) desenvolvidas por Fabrizio, somos confrontados com uma abordagem documental sobre a realidade de uma forma quase cinematográfica (anotações imobilizadas no espaço pictórico sobre as múltiplas possibilidades de abordagem relacional com a realidade). Espaços territoriais que nos fazem lembrar os horizontes e ambientes nos textos de Camilo de Castelo Branco, enquanto expressa o questionamento da realidade. As obras de Fabrizio estão posicionadas na confluência da ilusão inerente na obra de Manoel de Oliveira e da existência aristocrática nos finais do século XIX. Mas inscrita num contexto latente muito particular – no diálogo contínuo entre o movimento e o tempo.

Faca Meteórica, de 2008 (11 660 euros), foi uma das peças apresentada na exposição Meteorítica (Galeria Graça Brandão, Lisboa de 19 de Setembro a 1 de Novembro). A dupla João Maria Gusmão + Pedro Paiva (representados pela Galeria Graça Brandão) obrigam-nos frequentemente a movimentar-nos por entre as suas obras como um exercício antropocêntrico. Nomeadamente nos filmes em 16mm quase-arqueológicos espalhados no espaço. Onde, como participantes-observadores, somos obrigados a vaguear por entre diversas representações do mundo natural. Alternadamente somos e estamos inseridos na imagem através da ausência da própria imagem, mas como sombras. Ao nível da fotografia, Acerca do espírito da gravidade ou As Cobras Fossilizadas, 2007 (6960 euros) remetem-nos para testemunhas físicas, manifestações da nossa contínua presença na história.

Pedro Cabral Santo (1968) é representado pela VPF Cream Art (Lisboa). Quer através de vídeo ou instalações o percurso estético do artista debruça-se sobre questões relacionadas com o ‘devir da linguagem’. Nomeadamente sobre o excesso imagético caracterizador da sociedade contemporânea, ao procurar desconstruir a persistente ausência da capacidade de juízo. Recentemente, Pedro Cabral Santo expôs no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, o vídeo The ice cream from space #2 (2004-08) e a peça Ponto Azul (2008), inserido no ciclo de exposições de arte contemporânea, ‘The Return of the Real’ (19 de Julho a 4 de Outubro) e anteriormente o CAMJAP (12 de Março a 22 de Junho) apresentou a exposição individual ‘TILT’, onde estavam reunidas algumas da mais importantes do percurso do artista.

Published at NS'/IN, Destaque (51-54), (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), 15 de Novembro de 2008 Portugal © Fabrizio Matos Courtesy The Artist

Aquisição de obras de arte é o refúgio dos investidores

Ivânia de Mendonça Gallo, directora da ARTE LISBOA, salienta o aumento de participação no certame

Do ponto de vista do investimento, quais são as características actuais do mercado internacional de arte?
O abrandamento da economia, a crise financeira ou a crescente insegurança noutros sectores que tradicionalmente captavam investimentos estão a conduzir os seus clientes e investidores a procurar outros destinos para diversificar as suas aplicações. Um desses “valores refúgio” que está a ter maior protagonismo é o da aquisição de obras de arte como investimento a médio-longo prazo.

A European Fine Art Foundation que organiza a feira The European Fine Art Fair (TEFAF), informou este ano, após a realização do evento, que as vendas praticamente duplicaram desde 2002.

Quais são as especificidades da paisagem artística nacional?
Portugal desenvolveu nos últimos anos uma paisagem artística complexa, onde não faltam instituições de formação artística de grande prestígio, uma rede bem articulada de galerias privadas e uma série de espaços públicos e privados vocacionados para a promoção e exposição de arte contemporânea nacional e internacional.

Qual é a vantagem diferenciadora da ARTE LISBOA quando comparada com outras feiras de arte contemporânea, internacionais?
A ARTE LISBOA é a única feira de arte contemporânea que se realiza em Portugal e o nosso modelo está dimensionado de acordo com o mercado nacional e muito próximo, em termos de regulamento, com as restantes feiras congéneres. Tem a particularidade de apresentar um maior número de galerias e artistas portugueses mas recebemos muitos visitantes estrangeiros, especialmente espanhóis. Somos uma feira exportadora da produção, neste caso, artística, nacional.

Está à frente da ARTE LISBOA desde 2005. Como percepciona a evolução do mercado artístico português nestes últimos anos? E de que forma a ARTE LISBOA potenciou a evolução do mercado nacional?
A ARTE LISBOA acompanha a evolução do sector, que cada vez é mais profissional, mais internacional e ambicioso. Há mais galerias portuguesas e mais centros de arte que criam oportunidades para a produção, apresentação e comercialização de obras de arte. Assistimos também a uma maior descentralização dos espaços nacionais dedicados à exposição de arte contemporânea, bem como a uma progressiva internacionalização do circuito artístico. Existem também mais coleccionadores interessados em adquirir peças de artistas contemporâneos, consagrados e emergentes e o principal objectivo da ARTE LISBOA tem sido suscitar o máximo interesse de novos compradores, de profissionais, do público em geral, de modo a que encontrem nesta feira de arte contemporânea, bem como no resto das actividades programadas para este encontro, uma excelente oportunidade para conhecer melhor a oferta da cena artística actual. Reúne as principais galerias portuguesas e tem constituído uma ocasião única para coleccionadores institucionais, privados e outros adquirirem obras de artistas com percursos consolidados e emergentes. Para os galeristas, as vantagens da sua presença na ARTE LISBOA são também evidentes, porque lhes oferece a oportunidade de impulsionar a sua actividade num evento que tem vindo a afirmar a sua qualidade e notoriedade junto dos coleccionadores e do público interessado na arte contemporânea nacional e internacional.

Para este ano, o que poderemos esperar da ARTE LISBOA?
A próxima ARTE LISBOA que iremos inaugurar no dia 19 de Novembro apresenta-se como a maior edição da sua história, com 70 galerias expositoras e numerosos eventos paralelos. Oferece um conjunto abrangente de galerias representativas da criação artística actual que se focalizam na apresentação de valores consagrados e jovens emergentes que recorrendo a suportes diversos, pintura, escultura, instalação, fotografia, vídeo, manifestam incontestável criatividade e valor artístico. Posso destacar ainda a apresentação de uma área de projectos com curadoria de Paco Barragán, que inclui obras encomendadas especificamente para a feira a um grupo de artistas portugueses e internacionais.

Published at NS'/IN, Destaque (51-54), (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), 15 de Novembro de 2008 Portugal © Pedro Ramada Curto

Uma feira para juntar arte e economia

ARTE LISBOA 2008 mobiliza 70 galerias de arte contemporânea com uma selecção que representa uma aposta na qualidade criativa e valor artístico em vários suportes.

A oitava edição da Feira de Arte Contemporânea ARTE LISBOA, que se realiza entre os dias 19 e 24 de Novembro, no Parque da Nações, em Lisboa, deverá oferecer um patamar que envolve outras duas estruturas sociais – arte e economia – necessárias para a regeneração do contexto cultural vigente.

Este ano, a ARTE LISBOA, que se apresenta como a maior edição de sempre, tem uma selecção que representa uma aposta na qualidade criativa e valor artístico dos artistas nacionais e internacionais, em vários suportes. À participação das 70 galerias de arte contemporânea (45 galerias nacionais e 25 estrangeiras) alia-se um movimento inédito de inaugurações simultâneas nas galerias de arte de Lisboa. Dois acontecimentos privados dirigidos essencialmente aos cidadãos nacionais. Mas qual é o papel do Estado? De que forma está representado e participa na regeneração de uma área especifica da sua cultura? Os espaços museológicos estão mais uma vez ausentes, alheios às iniciativas da sociedade civil.

Apesar de ser um mercado concentrado geograficamente nos grandes centros, Lisboa e Porto (como é habitual e ocorre na grande maioria dos outros países), este ano associam-se na feira às mais importantes galerias de arte contemporânea nacionais 5 novos espaços expositivos: Art Form, Bernardo Marques, Leonel Moura, Pente 10, e Nuno Sacramento. De Espanha apresentam-se 21 propostas, enquanto o Brasil, Moçambique, Alemanha e a Coreia estão presentes com uma galeria cada.

Relativamente a anos anteriores, a ARTE LISBOA apresenta um crescendo quer em número total de galerias participantes, quer na quantidade de países representado: o ano passado estiveram presente 47 galerias nacionais e 19 internacionais; enquanto em 2006 a feira contou com a presença de 64 galerias representativas de 6 países (47 nacionais e 17 estrangeiras). Em 2007, a feira foi visitada por 17 554 pessoas, um decréscimo em relação a 2006, o qual registou o maior número de visitantes de sempre, a feira contou com a presença de 19 283 visitantes.

Published at NS'/IN, Destaque (51-54), (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), 15 de Novembro de 2009 Portugal © Fernando Bermejo, vista de exposição Fernando Bermejo, na Galeria Del Sol ST. Art Gallery, 2008 Courtesy Arte Lisboa e Del Sol St. Art Gallery (Santander, Espanha)