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Wednesday, 3 December 2014

I am here seated and thinking about an interesting angle on Tate’s 2014 Turner Prize

I think it is amazing what time-lapse can cause to a particular cause. People complaint about the 80s, for instances, but it may not be the proclaimed principle. The main thing about it is that it worked on the subcultural level, with extreme levels of creativity to inform about a cause deserving our attention, a movement that advocated a deep commitment to support a socio-political whatsoever - being it a lesbian or gay cause, negritude or colonialism, or, even, Samantha Fox's completely dressed performance in 'Touch Me', which is still more social-cultural provocative than Miley Cyrus almost naked performances.
We need public interventions like those, when the questioning was also relevant, not the cynical entertainment that we are offered on a constant base, by the present days, of abstract ideas documenting our ordinary everyday life routines; go and redefine off so terrible moments. The abysmal thing to say, to transform a dull language, either it be about (gratuitous) images from nipples, dicks, vaginas, anus or a person's pubic hair… whatever! Do not want to trivialise, but this idea is packed of trivial topics. Definitely, if the 80s were whatever they were, the 00s and the 10s are worse!

Friday, 19 November 2010

newsfrom...201011

Rachel KNEEBONE (b. 1973)

Shields, 2010 £45k

«...Kneebone's rearrangement of body parts utilises the slippage between abstraction and figuration, directly addressing the synergy between gender and form. ... by making works around the void or lack (i.e. the symbolic vaginal hole in Lacanian terms) and populating it with sexed figures, she creates an anti-sex whilst still not approaching the pornographic. By being literal she explodes the supposed beauty of the work and uses a form to move past the assumed gendered subject to create a symbolic object» Her work «depicts an erotic state of flux, suspended mid-transition, divulging part figurative and fragmentary motifs (...) celebrating forms of transgression, beauty and seduction.»

Courtesy White Cube

Monday, 22 February 2010

«De que outra coisa poderíamos falar?»

Curador Cuauhtémoc Medina e artista Teresa Margolles defendem outra forma de intervir politicamente

No pós-modernismo, a teoria pós-colonial é uma dialéctica que consiste na análise do legado cultural do colonialismo, e é neste contexto que se inscreve o discurso do curador mexicano Cuauhtémoc Medina: «A ideia da relação de riso perante a morte na ideologia nacional mexicana é uma má leitura.» A violência gratuita geralmente associada às mortes e assassinatos noticiadas encerra em si um erotismo, a ideia de «rios de sangue» como uma forma de transgressão que substitui a violência dos sacrifícios sagrados exóticos por uma violação da proibição social, associada à violência da guerra de conquista.

Cuauhtémoc Medina vê o seu trabalho de curadoria como «uma forma de intervir politicamente, mas politicamente no sentido de reutilizar as estruturas que encontra» no seu quotidiano. Em conjunto com Teresa Margolles (representação do Pavilhão do México na última edição da Bienal de Veneza, com o obra colectiva De Que Outra Coisa Poderíamos Falar?), procurou dissociar essa relação ideológica: «A pergunta no trabalho de Teresa tem a ver com a relação material/espectral do espaço sacrificial, mas entendido como um assunto místico e arqueológico», adianta o curador.

«Não é que exista um combate ao estereótipo per se, mas sim ao estereótipo equivocado», conforme defende Medina. E acrescenta que «por um lado, evidentemente, há uma necrópole política que o espaço colonial produziu. Existe uma continuidade de violência, de enorme consumo dos conflitos praticados que tem a ver com a estrutura de poder disciplinar que acaba de se estabelecer».

Desta forma, ambos, Cuauhtémoc Medina e Teresa Margolles, ao explorarem a questão da distinção entre Estado e Governo, procuraram colocar em crise o uso da representação nacional para fins diplomáticos estatais, pois a intervenção rege-se sob regras complexas no espaço de representação nacional. Há uma actuação nele, e o que se retira desse espaço de controlo do Governo é um labor que não deve ser governamental.

Em relação ao projecto realizado pela artista, «tentou-se, num lugar muito estranho, que é a arte contemporânea, uma interpretação que se fizesse valer, uma intervenção difícil de aceitar, que passa pela noção de que, como não podemos acabar com uma representação nacional, o nosso trabalho é então evitar que sirva para o que serve», esclarece Cuauhtémoc Medina. «Ou seja, como não podemos fazer-nos estúpidos, pensar que isso desaparece, porque isso implica evadir-nos à responsabilidade política, retiramos dos mecanismos de promoção político-ideológica» o elemento de representação nacional usado por este mesmo mecanismo representativo.

Cuauhtémoc Medina é curador de arte contemporânea. Foi o curador do Pavilhão do México, na 53.ª edição da Bienal de Veneza, em 2009. Em 2008, comissariou, em conjunto com Olivier Debroise, a exposição La era de la discrepancia – arte y cultura visual en México 1968-1997, no MUCA (México); e em 2006, Diez Cuadras Alrededor del Estúdio, de Francis Alÿs, no Antigo Colégio de San Ildefonso (México). Foi o primeiro curador para a arte da América Latina da Tate Gallery (Inglaterra).

Published at NS'215/IN#111, Mercado da Arte (70), (Diário de Notícias N.º 51453 e Jornal de Notícias N.º 264/122), 20 de Fevereiro de 2010, Portugal. Teresa Margolles, Sangre Recuperada, 2008. Courtesy Instituto Nacional de Bellas Artes y Literatura, México 2008

Monday, 5 October 2009

A transgressão na arte e a censura

Por ser um campo fértil de interpretações, o universo artístico é o mais permeável às criticas extremistas.

Um dos mais enevoados temas com influência na prática artística, e mesmo no relacionamento social, desde a Antiguidade, é a infracção ou a superação dos limites delineados pelos princípios morais ou por outras normas estabelecida de comportamento no relacionamento comunitário. Outro tema é a forma oficial encontrada pela comunidade para responder a estas transgressões morais através da supressão das partes inaceitáveis, nomeadamente matérias consideradas obscenas, pornográficas - como, em especial na sociedade contemporânea a pornografia infantil - ou outros assuntos de moral questionável. Um comportamento comunitário possível de ser encontrado nos actos de censura, nas visões e práticas intolerantes provenientes dos mais variados quadrantes sociais, políticos, religiosos ou corporativos.

Por ser um campo fértil de interpretações o universo artístico é o mais volátil e permissivo a este género de críticas extremistas. Por exemplo, recentemente, o apresentador populista televisivo norte-americano Glenn Beck conseguiu encontrar indícios fascistas e comunistas em vários murais localizados em edifícios na Rockefeller Plaza, em Nova Iorque – apesar de um dos painéis nem sequer existir nesse espaço –, enquanto, na Escócia, uma exposição na Gallery of Modern Art (Galeria de Arte Moderna) foi retirada da programação dedicada à promoção da igualdade e dos direitos humanos. Se nos Estados Unidos da América existe uma propensão para extremismos morais, exemplos existem também a nível nacional, como uma peça da designer Catarina Pestana, criada para a exposição da Experimenta Design, censurada por um dos patrocinadores do evento sob a direcção de Guta Moura Guedes.

O controlo exercido no domínio artístico pelos diferentes governos europeus durante o século vinte é um facto histórico registado. Socialmente, a visão de um tornozelo duma mulher era considerado chocante para a sociedade de épocas passadas. Assim como imagens de nudez, alguns dos aspectos fisionómicos das figuras pintadas por Michelangelo na Capela Sistina, no Vaticano, estão actualmente completamente desvelados ao público; ou as duplas pinturas de Goya, para serem mostradas no espaço privado ou público do século dezoito.

A arte é um fórum, uma plataforma independente onde a transgressão e o questionar de situações éticas, morais, políticas e sexuais são constantes. De acordo com algumas ideologias partidárias, a atribuição de fundos públicos permite a existência desta independência relacional. Dá a possibilidade de conceber obras não limitadas às exigências e gostos progressistas, tradicionais ou das massas, mas sim criar obras que facultam a reflexão sobre a condição humana contemporânea. O que é certo, como em muitas obras de arte, por diversas vezes o valor económico e cultural da peça censurada aumenta de acordo com a exposição no debate público.

Published at NS'195/IN#091, Mercado da arte (70), (Diário de Notícias N.º 51315 e Jornal de Notícias N.º 124/122), 3 de Outubro de 2009 Portugal © Francisco de Goya, La maja desnuda (1795), e La maja vestida (1800) Courtesy Museo Nacional del Prado, Madrid