A feira em números: 244 galerias oriundas de 31 países e 35 projectos de experimentação artística comissariados por Moacir dos Anjos, Susanne Neubauer ou David G. Torres. Paralelamente à ARCO decorrem múltiplas inaugurações, festas e eventos promovidos por diferentes espaços da cidade de Madrid. A Art-Madrid realiza-se entre 12 e 16 de Fevereiro (estão representadas cinco galerias nacionais no programa geral); o Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía apresenta uma exposição de um dos mais representativos fotógrafos espanhóis das últimas décadas, Alberto García-Alix (De donde no se vuelve); a galeria Helga de Alvear, expõe Los penetrados de Santiago Sierra; e a Juana de Aizpuru mostra trabalhos de Fernández Sánchez del Castillho; enquanto no espaço La Fabrica está patente a exposição Park Portraits, fotografias de Rineke Dijkstra. Com início no dia 11 de Fevereiro, La Casa Encendida apresenta um ciclo de cinema de autor, documentários independentes e videocriação dedicado à tradição artística e criativa fomentada pela Índia. Dotado de uma identidade artística muito própria, o Matadero Madrid apresenta o resultado de um laboratório de investigação urbana – Alter Polis – onde oito equipas de arquitectos desenvolveram propostas sobre a relação entre a cidade, utopia e humanismo. A presente edição de Madrid Abierto é dedicada às práticas emergentes que se envolvem com o contorno urbano – 76 artistas oriundo de todo o mundo mostram exemplos da participação da arte no tecido social urbano e invocam a participação pública na obra.
De volta aos números. Nos últimos 17 anos, o índice do valor do segmento arte contemporânea teve um crescimento de 132%. Entretanto, nos últimos doze meses o segmento arte moderna aumentou de 12,5%. Actualmente, vive-se um período de correcção, bastante salutar para a sustentabilidade futura do mercado da arte. Assim, se em 2008, a ARCO encerrou com um aumento de 15% em vendas, qual é a aposta para 2009?
Published at NS'161 (38-39), (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), 7 de Fevereiro de 2009 Portugal
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Wednesday, 11 February 2009
Entrevista : Lourdes Fernández, directora da ARCOmadrid 2009
Do ponto de vista do investimento, quais são as qualidades do mercado da arte?A arte contemporânea, como todos os bens tangíveis, é um objecto de investimento mais seguro que os produtos financeiros, que estão mais sujeitos aos vaivéns da economia. Apesar de que num momento de crise tão grave como o que estamos a viver, é necessário falar com cautela, a arte e, especialmente, a contemporânea, devido à sua grande revalorização, é um excelente valor refúgio. Uma grande obra de um artista reconhecido nunca irá perder valor. Para além disso, no caso da arte, junta-se a isto o poder desfrutar da peça, o valor decorativo, cultural e criativo que, obviamente, não têm os produtos financeiros.
Portanto, pode inclusive ocorrer o movimento contrário e que os investidores, que neste momento podem sentir desconfiança face aos investimentos de bolsa ou aos fundos, se inclinem para este tipo de produtos. É necessário, de qualquer modo, ir com cautela e esperar os acontecimentos dos próximos meses.
Quais são as especificidades do panorama artístico espanhol?
O panorama da arte contemporânea espanhola é actualmente muito diverso. Os criadores são herdeiros da longa tradição artística do nosso país, não só dos grandes mestres da história, mas também das figuras indispensáveis do século XX. Mas, para além disso, os artistas espanhóis actuais estão a transformar a sua própria linguagem, incorporando as novas tecnologias, explorando as possibilidades da vídeo-arte... Estamos num momento muito interessante em Espanha, tanto para a criação artística como para o coleccionismo.
Qual é a vantagem que diferencia a ARCOmadrid de outras feiras internacionais de arte contemporânea de grande importância?
Cada feira de arte contemporânea tem a sua idiossincrasia. A ARCOmadrid tem como trunfos mais fortes a aposta nos mercados emergentes como a Ásia, que têm ganhando importância na feira ano após ano, e a ligação com a América Latina, que faz com que o certame seja uma das vias de entrada das galerias de toda a Ibero-américa para a Europa. A isto junta-se que no mês de Fevereiro, a cidade de Madrid se transforma num caldeirão em ebulição de actividade cultural, onde todas as salas de exposição abrem as suas portas e oferecem programações que se juntam ao projecto da ARCOmadrid, dando uma grande visibilidade ao país convidado, como nesta ocasião o é a Índia. Sem dúvida, isso é o que diferencia a ARCOmadrid de outros eventos similares.
É directora da ARCOmadrid desde 2006. Qual é a sua percepção da evolução do mercado espanhol nestes últimos anos?
Como já referi anteriormente, há uma tendência cada vez maior para a exploração dos novos meios, das novas tecnologias... uma procura constante de formas de expressão diferentes. Mas, paradoxalmente, também se está a constatar um certo regresso à pintura, ao figurativo, mas incorporando frequentemente elementos da cultura globalizada e referências à actualidade.
E de que forma a feira impulsionou a evolução de um mercado nacional, espanhol?
Ao longo das quase três décadas de existência da ARCOmadrid, o mercado espanhol transformou-se completamente e penso que a feira teve muito a ver com este facto. Os dois pontos principais são, por um lado, o fomento do coleccionismo institucional e corporativo, com uma verdadeira explosão de centros de arte e salas de exposição, tanto em Madrid e Barcelona como no resto das Comunidades Autónomas. E, por outro lado, a abertura e modernização do coleccionismo privado, que antes era fortemente localista e agora se tornou mais valente, mais aberto aos artistas internacionais e a tendências mais rupturistas.
Sob uma perspectiva de gestão, quais são as linhas orientadoras da feira? Os seus objectivos?
Por um lado é preciso falar da relação entre a ARCOmadrid e a Ibero-américa, que sempre foi muito estreita, dado que um dos nossos principais objectivos é servir de via para a promoção das galerias e dos artistas latino-americanos na Europa. Por outro lado, o fomento do coleccionismo nacional e internacional é outra das grandes apostas da feira. Facilitar que os coleccionadores de primeira fila visitem Madrid, incentivar a aquisição de arte espanhola e internacional, e fomentar o coleccionismo jovem, são linhas chave do nosso trabalho. E, ao mesmo tempo, reforçar a imagem de Madrid como um dos centros nevrálgicos da arte contemporânea na Europa, a amplíssima oferta desta cidade, a sua capacidade de acolhimento, de integração, de criatividade...
Para 2009, qual é a experiência pela qual poderemos passar na ARCOmadrid?
Sem dúvida, um dos pontos mais interessantes da ARCOmadrid em 2009 será a presença da Índia como país convidado. Uma terra de contrastes extremos, com uma enorme vitalidade artística que nasce das mudanças económicas e políticas das últimas décadas, da penetrante influência dos meios de comunicação e do diálogo entre as tradições milenárias e a globalização. Artistas com um discurso rupturista mas, ao mesmo tempo, enraizado na cultura local. Poder ver uma mostra destas características na Europa será um verdadeiro privilégio.
Published at NS'161 (38-39), (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), 7 de Fevereiro de 2009 Portugal Courtesy: IFEMA
ARCOmadrid, uma porta de entrada
A Feira Internacional de Arte Contemporânea coloca a capital espanhola no centro da criação cultural global.Aproximadamente 200 galerias seleccionadas e mais de dois mil artistas vão estar presentes na Feira Internacional de Arte Contemporânea, ARCOmadrid. O evento, que decorre entre 11 e 16 de Fevereiro, promove um percurso sobre as últimas tendências na arte contemporânea e, em especial, oferece uma porta para a criação artística concebida na América Latina.
Contudo, o país convidado para esta edição é a Índia, que, no contexto artístico actual, apresenta um discurso simultaneamente de ruptura mas enraizado na sua cultura, através de muitos artistas de méritos reconhecidos na paisagem artística internacional, como Atul Dodiya (1959) ou TV Santosh (1968). Além das galerias seleccionadas para a ARCOmadrid por Bose Krishnamachari, como a Bodhiart, de Bombaim, encontram-se outros espaços como a Nature Morte (Nova Deli e Berlim) e Vadehra Art Gallery (Nova Deli). A nível nacional, Portugal está representado através de nove galerias no Programa Geral e três espaços no programa Arco 40.
Entretanto, na presente conjuntura, a economia em geral e a economia na arte, em particular, não fazem prever facilidades. Exageros à parte, é esperado que os preços este ano, em média, decresçam 40% quando comparados com o que se praticava há um ano – fosse em leilões, feiras ou em outros locais de venda. Esta quebra fez com que muitos especuladores de arte se afastassem do mercado, o que faz prever momentos mais aprazíveis para coleccionadores e público em geral durante as próximas feiras de arte.
Ao mesmo tempo, Madrid torna-se num dos principais focos artísticos globais. A cidade é inundada por uma atmosfera de criatividade em conjugação com as várias e múltiplas instituições definidoras do seu tecido artístico e cultural. Inaugurações, festas e eventos alternativos, contactos quer com a cultural espanhola, quer com outros intervenientes globais, são alguns dos ingredientes possíveis de encontrar durante o decorrer da ARCOmadrid.
Published at NS'161 (38-39), (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), 7 de Fevereiro de 2009 Portugal © Vivek Vilasini, Between one shore and several others Courtesy: The Guild
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