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Sunday, 22 March 2015

Rubens and His Legacy

Rubens and His Legacy: Van Dyck to Cézanne
Royal Academy of Arts

"The triumph of Rubens's nudes is his magnificent evocation of the texture of human skin, represented in such a way it feels almost palpable. We see blood coursing through the veins of the voluptuous flesh. The delicate mother-of-pearl complexions of the female bodies radiate with light. Their soft skin suggests vulnerability and invites you to touch it. ... Rubens's nudes were, as per tradition, drawn from mythological, literary and sometimes biblical sources." [... in Gallery Guide...]
Let's be honest! Every art work is about sex! Pure and simple sex (homo- and hetero-) veiled under some other subject matter, like politics, religion, science, race, the exercise of power, etc. or the human body sensuality and sexuality while posing and interacting with those dynamics and conditions ruling contemporary life.

Monday, 24 February 2014

Sensing Spaces - Architecture Reimagined

Sensing Spaces - Architecture Reimagined
Royal Academy of Arts


«How do spaces shape our lives?
How do they make us feel?


Experiencing architecture involves moving within and around it, absorbing its qualities through our bodies and senses. We react, consciously or not, to the characteristics of different materials, vistas, volumes, sounds, spatial relationships and proportions. As well as engaging physically with space, our experience of it is also informed by our memories and habits.

Human responses to architecture range from awe to feelings of comfort, safety, pleasure, excitement or unease. We frequently shape the spaces around us - from making dens as children to placing furniture in a living room. Ultimately, architecture connects us to time, place, and people.

This exhibition invites you to explore built space directly. The installations all highlight different aspects of architecture - from the manipulation of light, mass and structure to the transformations brought about by use, movement and interaction.» 


[exhibition text]
Pezo von Ellrichshausen
Pezo von Ellrichshausen
Pezo von Ellrichshausen
Pezo von Ellrichshausen
Pezo von Ellrichshausen
Diébédo Francis Kéré
To move forward, people need to be inspired: they need buildings that enhance their creativity into their own hands. - Diébédo Francis Kéré
Diébédo Francis Kéré
"I believe it is important to engage people in the process of building so they have an investment in what is developed. Through thinking and working together people find that the built object becomes part of a bonding experience."
Diébédo Francis Kéré
Eduardo Souto de Moura
"For me, architecture requires continuity; we have to continue what others have done before us but using different materials and methods of construction."
Kengo Kuma
"I always start with something small, breaking down materials into particles or fragments that can then be recombined into units of the right scale to provide comfort and intimacy."
Kengo Kuma
Li Xiaodong
"According to the ancient Chinese philosopher Lao Zi, what is important is what is contained, not the container."
Li Xiaodong
Li Xiaodong
Li Xiaodong
Li Xiaodong
Li Xiaodong
Grafton Architects
When are you aware of spaces you inhabit? Thresholds are places where we naturally become more aware. For me this occurs each time I leave the quite complex of Trinity College in Dublin. - Yvonne Farrell, Grafton Architects
Grafton Architects
"There is a sense of pleasure in moving from darkness to light or vice versa because as human beings we're cyclical. How light reflects and how light is contained is the stuff of architecture."
Álvaro Siza Vieira

Saturday, 6 July 2013

Mexico: A Revolution in Art, 1910-1940

Mexico: A Revolution in Art, 1910-1940
Royal Academy of Arts

"Mexico is truly the promised land of Abstract Art" (Josef Albers)
Diego Rivera, Dance in Tehuantepec (Baile in Tehuantepec), 1928.
Oil on canvas, 200.7 x 163.8 cm. Collection of Clarissa and Edgar Bronfman Jr. Photo Collection of Clarissa and Edgar Brontman Jr., courtesy of Sotheby's, New York / © 2013 Banco de México Diego Rivera Frida Kahlo Museums Trust, Mexico, D.F. / DACS.
[Mexico] "is not a curiosity to be visited but a life to be lived" (Henri Cartier-Bresson)

«Royal Academy's Mexican revolution misses the bigger picture: Modernist Mexico's greatest artistic idea was mural painting on a gargantuan scale. But this show is confined to the attic», by Jonathan Jones at The Guardian, Tuesday 9 July 2013.

Monday, 17 June 2013

Summer Exhibition 2013

Royal Academy of Arts' Summer Exhibition 2013, Rooms II, III & IV view
Royal Academy of Arts' Summer Exhibition 2013, Rooms V & VI view
Royal Academy of Arts' Summer Exhibition 2013, Lecture Room, Central Hall and Room III view

Monday, 1 April 2013

Review: Manet: Portraying Life

Royal Academy of Arts (Londres)
Manet: Portraying Life

Édouard Manet, 'The Railway' (Oil on canvas, 93.3 x 111.5 cm), 1873. National Gallery of Art, Washington,
Gift of Horace Havemeyer in memory of his mother, Louisine W. Havemeyer, 1956.10.1. Photo courtesy of the National Gallery of Art, Washington.
Exhibition organised by the Royal Academy of Arts, London with the Toledo Museum of Art, Ohio.
A retrospectiva Manet: Portraying Life é, possivelmente, um dos blockbusters menos conseguidos pela Royal Academy of Arts durante os últimos anos, quer em termos de experiência sensorial, quer em permitir visualizar novas possibilidades críticas sobre a obra do artista. A exposição, idealizada pela comissária Mary Anne Stevens, apresenta-se como um retrato da sociedade parisiense do século XIX através do olhar de Édouard Manet (1832-1883).

Manet captou com uma qualidade rara a realidade contemporânea francesa do século XIX, e, em algumas obras, apresenta uma qualidade absolutamente extraordinária, ao exceder para além do campo dos retractos que comunicam unicamente sobre as circunstâncias sociais e económicas dos retratados. O óleo sobre tela ‘A Cantora de Rua’ (‘La Chanteuse de Rue’), concebido cerca de 1862, está entre os retratos que melhor representam essa era. Um período caracterizado por convulsões sociais, culturais e políticas, como a publicação do livro A Origem das Espécies, por Charles Darwing, a queda dos impérios Espanhóis e Franceses, pelas descobertas tecnológicas e relações econômicos a uma escala mundial, como a Revolução Industrial, mas também a democratização do olhar. Apesar de não ser uma das obras mais reconhecidas pelo público, como são, por exemplo, ‘Almoço na Relva’ (‘Le déjeuner sur l’herbe’) ou ‘Olímpia’ (uma das obras não apresentada na exposição), ambas de 1863, este retrato, de uma mulher a sair de café com uma guitarra na mão, enquanto come o que parecem ser cerejas, reporta, de uma forma geral, sobre a quintessência da era moderna e, de uma forma particular, sobre a sociedade Ocidental contemporânea.
Édouard Manet, 'Street Singer' (Oil on canvas, 171.1 x 105.8 cm), c.1862.
Museum of Fine Arts, Boston. Bequest of Sarah Choate Sears in memory of her husband,
 Joshua Montgomery Sears. Photo courtesy Museum of Fine Arts, Boston.
Se até ao século XVII toda a arte concebida para ser usufruída na esfera pública era com o intuito de celebrar e imortalizar, de uma forma visual, os feitos de santos e da nobreza, ou explicar acontecimentos de ordem divina. Com as sucessivas revoluções, a aconteceram desde os finais do século XVIII, o ‘olhar’ dos artistas passou, também, a estar atento a situações do quotidiano, com origem no espaço doméstico por exemplo, ou sobre a condição humana, sem a interferência sagrada ou profana. O comum, o popular, a vida mundana passa a ser um dos assuntos examinado e retratado pelos artistas ao ser-lhe atribuído uma importância e atenção que anteriormente não existia.

Manet, como muitos outras artistas de variadas épocas, olhou para e estudou as obras concebidas pelos grandes mestres – desde o Renascimento (séculos XIV e XV) até ao Romantismo (séculos XVIII e XIX), Velázquez ou Goya, em particular – e modernizou os assuntos examinados por esses artistas à contemporaneidade. Enquanto, nos retratos sociais, ‘Berthe Morisot com Violetas’ (1872), e ‘Retrato de Antonin Proust’ (1880), por exemplo, Manet subscreveu as convenções visuais determinadas para a pintura, até este momento na história da humanidade, ao comunicar sobre as circunstâncias sociais e económicas do retratado (poder, riqueza, posição e educação) de forma a ser imediatamente legível pelo observador (dado muitas das representações surgirem de comissões atribuídas pelos retratados ou alguém próximo). Em, ‘Almoço na Relva’ (1863), o pintor induz-nos para a gravura ‘Julgamento de Paris’ (c. 1515), de Marcantonio Raimondi, retirado de uma cena mitológica concebida anteriormente por Rafael, ou para a ‘Festa Campestre’ (1508), possivelmente de Ticiano, ao enquadra-los no espírito do século XIX. Em ‘O Caminho-de-Ferro’ ('The Railway') (1872-73) e em ‘A Cantora de Rua’ o pintor examina e retrata cenas do seu quotidiano, na procura de uma nova linguagem pictórica para a arte. Adiciona ao discurso em vigor novas questões sobre a humanidade.


Leonardo da Vinci, no século XV, denominou o verdadeiro artista como aquele que era o “espelho da natureza”; o que conseguia refletir de uma forma pictórica o real existente; o que conseguia reproduzir nitidamente as imagens que o defrontavam. Com a modernidade o artista passa a subverter o valor atribuído anteriormente às imagens provenientes da cultural popular. Os artistas modernos para além de continuarem a transformar imagens existentes, não só de forma a adaptar os temas principais da história da arte e a reflectir a sua contemporaneidade de um modo ‘real’, mas, também, ao atribuir a essa ‘realidade’ relativa um capital sociocultural que anteriormente não lhes era atribuído. Em particular imagens sobre a condição humana. Indivíduos anónimos ou objetos de uso diário passam a ser o objeto de atenção.

A democratização do ‘olhar’ passa a ter maior validade no discurso como consequência dos contatos interculturais a nível global. Há um estudo, compreensão e aceitação de outras formas e modos de ser e ver a realidade. Neste contexto, a ideia da importância de espaço público, e do que acontece neste espaço, surge como um rico campo de possiblidades críticas. As alterações aos valores atribuídos já não é só imposta pelas minorias governantes, mas passa, também, a ser imposta pelas maiorias governadas. Consequentemente, o quotidiano do sujeito governado passa a ser um dos assunto a ser representado pelos artistas ao lhes ser aberto um espaço e atribuído um lugar central na história da humanidade.

Images:  Édouard Manet, 'Berthe Morisot with a Bouquet of Violets' (Oil on canvas, 55.5 x 40.5 cm), 1872. Musee d Orsay, Paris. Acquis avec la participation du Fonds du Patrimoine, de la Fondation Meyer, de Chine Times Group et d un mecenat coordonne par le quotidien Nikkei, 1998. Photo copyright RMN (Musee d'Orsay) / Herve Lewandowski; e 'Portrait of M. Antonin Proust' (Oil on canvas, 129.5 x 95.9 cm), 1880. Lent by the Toledo Museum of Art; Gift of Edward Drummond Libbey. Photo Photography Incorporated, Toledo.
Published at Molduras: as artes plásticas na Antena 2: Manet: Portraying Life

Friday, 22 March 2013

Friday, 1 February 2013

Manet: Portraying Life

Edouard Manet, Music in the Tuileries Gardens, 1862 (Oil on canvas, 76.2 x 118.1 cm).
The National Gallery, London. Sir Hugh Lane Bequest, 1917.
Exhibition organised by the Royal Academy of Arts, London with the Toledo Museum of Art, Ohio.



Thursday, 13 December 2012

On the Tenth day of Christmas

On the Tenth day of Christmas, My true love gave to me: ten primal rhythms reuniting the celestial with the terrestrial; nine times twenty minutes earlier; eight sentences to read by Lawrence Weiner; seven days of encounters and discussions; my six interview, with Peles Empire, after Mara Castilho interview; over than five good news on gallery visits, art books, Murano glass and exhibitions, and coffee beans; more than four sculptures from Tony Cragg; three exhibitions to see; two places to sleep: a set of impressions and feelings.

Thursday, 26 January 2012

Review: David Hockney, A Bigger Picture

Royal Academy of Arts (London)
David Hockney, A Bigger Picture

Desde o primeiro momento - em que nos encontramos rodeados pela mesma paisagem reproduzida em quatro momentos distintos (Thixendale Trees, Summer, Autumn, Winter, and Spring) - esta é uma exposição sobre territorialização, sobre branding. Com A Bigger Picture, David Hockney criou um nome e uma imagem única para um produto na mente dos observadores - a paisagem de Yorkshire -, essensialmente através de uma exposição com um tema consistente. A sua trademark.

Andy Warhol com A Fábrica (The Factory) e a reprodução de imagens de "figuras" do espaço público, definiu todo um movimento artístico. Durante a década de sessenta Hockney também marcou a Arte Pop. Branding permite efectuar a diferenciação de um produto ou serviço e ajudar a definir um determinado posicionamento através da atribuição de uma marca e/ou nome identificativo. Por exemplo, Damien Hirst com os animais preservados em formaldeído, as borloletas e os "Spot Paintings"; Takashi Murakami com as flores sorridentes, ícons, cogumelos, iconografia Budista; Joana Vasconcelos com objectos do quotidiano Português, como cães de loiça, rendas ou os Corações de Viana. Todos este artistas já deixaram a sua pequena marca (Trademark) na arte contemporânea ao investir nos "objectos" do quotidiano, o seu elemento identificativo. O território que cada qual ocupa no imaginário do observador, do cidadão comum foi construido com a "blue-print" utlizada por Warhol (processo muito antes também utilizado por Picasso). Hockney ao tecnicamente - através de um instrumento de trabalho, máquina fotográfica, iPad ou Video HD capta uma realidade - o espaço rural de uma região de Inglaterra - e reproduz, se necessário em série, essa realidade de forma distinta. Ele está a deixar a sua marca no imaginário das pessoas sobre a realidade da paisagem de Yorkshire.

A exposição está concentrada no corpo de trabalho executado por Hockney sobre paisagens, sobre lugares específicos: Thixendale Trees, Nichols Canyon, A Closer Gran Canyon, Woldgate Woods, Rocky Mountains, Flight into Italy-Swiss Landscape, Molholland Drive, Pearblossom Highway, Yorkshire Landscapes e The Sermon on the Mount. De tal forma é importante mostrar a história, legitimar o discurso do artista e da sua marca que uma das obras (Sala 2) é uma foto cópia (o original ficou nos EUA). O original é irrelevante para a "Bigger Picture" da exposição - "É um Hockney!" por oposição a "É uma paisagem". A questão da aura na arte fica para segundo plano.
Mais do que tudo esta tinha de ser uma exposição de índole techne por oposição a poiesis. A primeia opção permite a propriedade, a sua consequente reproductividade, permite a propagação da aceitação do atributo derivado da predicação - "É um Hockney!" - ao transformar o sensível commumente aceite - "É uma paisagem".

Noami Klein, em No Logo (2000) escreve «The definition of trademark in U.S. law is "any word, name, symbol, or device, or combination thereof, used ... to identify and distinguish goods from those manufactured or sold by others." Many alleged violators of copyright are not trying to sell a comparable good or pass themselves off as the real thing. As branding becomes more expansionist, however, a competitor is anyone doing anything remotely related, because anything remotely related has the potential to be a spin-off at some point in the synergistic future», (p. 176/7) e acrescenta, «when we try to communicate with each other by using the language of brands and logos, we run the very real risk of getting sued.» (p. 177)

Num livro publicado em 2006, Secret Knowledge: Rediscovering the lost of techniques of the Old Masters, David Hockney argumenta que desde o princípio do século quinze muitos artistas ocidentais usam a óptica – espelhos e lentes ou uma combinação dos dois – para criar projecções vividas.

As quatro grandes pinturas que ocupam as paredes da sala octogonal no topo das monumentais escadarias da Royal Academy of Arts, em Londres, introduzem e marcam os diferentes temas de A Bigger Picture [Um Quadro Maior], por David Hockney (1937), enquanto estabelecem a paisagem de Yorkshire, no Norte de Inglaterra, como o principal sujeito da exposição.
Seja através de amarelos, limas e castanhos, na Primavera (Spring, 2008), ou castanhos, rosas e verdes escuros, no Outono (Autumn, 2008), a série Three Trees near Thixendale [Três Árvores Próximo de Thixendale] – o conjunto é completo com mais dois óleos sobre oito telas: Summer [Verão] e Winter [Inverno] pintadas em 2007 – ilustra a vivacidade de Hockney em termos da qualidade da luz e da densidade da folhagem, ao pintar as alterações sazonais na paisagem.

David Hockney é frequentemente associado à cena artística de Los Angeles (EUA), onde viveu durante as décadas de oitenta e noventa. A Bigger Splash (1967) marcou a contribuição de Hockney no movimento Pop durante a década de sessenta, enquanto Pearblossom Highway (11th - 18th April 1986 #1) influenciou de forma singular o acto fotográfico ao fragmentar a realidade, e, posteriormente, ao compor imagens com montagem de fotografias coladas. Contudo, a exposição, na Royal Academy of Arts, para além das paisagens e panoramas realizadas na California, durante as décadas de sessenta e oitenta (Sala 2) reúne também uma primeira abordagem a paisagem de Yorkshire. Trabalhos realizados de memoria após uma visita a esta região de Inglaterra, durante os anos noventa (Sala 3). Depois é um crescendo de intensidades técnica, que culmina com as majestosas vistas de Yosemite Valley, na California. A atenção do artista para com Yorkshire traz à memória alguns notáveis paralelos: o registo da região Este da Inglaterra por John Constable (1776-1837), a lezíria ribatejana por Silva Porto (1850-1893) ou o trabalho de Monet (1840-1926) resultante da sua estadia em Giverny (França).

O espaço (Sala 4) está completamente forrado por óleos e aguarelas de tamanho médio. Mais parece que estamos completamente rodeados por uma sala inundada de plasmas a mostrar o que as câmaras de vigilância HD captam do espaço rural: ruas em vilas com carros estacionados; estradas que ligam estas vilas ladeadas por cercas e arbustos; caminhos por entre os campos com a sua riqueza de flores e árvores; céus enublados a indicar a aproximação de chuva, etc. Um tempo na paisagem de Yorkshire captado por David Hockney com cores vivas, brilhantes, no óleos, ou a subtileza da diluição das cores umas nas outras, nas aguarelas.
O que começou como uma simples casualidade, de repente torna-se num marcante comentário sobre a natureza da arte e da percepção, mas, em especial, investigações sobre o espaço pictural e sobre o movimento natural da luz e das condições duma paisagem – o céu e a vegetação. Wooldgate Woods (sete óleos, sobre seis telas cada), realizados durante 2006, traz-nos uma outra forma de encarar o espaço por parte de Hockney. Durante dias diferentes o artista capta do mesmo ponto com o mesmo enquadramento a paisagem á sua frente: trilho transformam-se em mantos de vermelho, castanhos e ocre; o nevoeiro da manha é substituído pelas sombras arrastadas, no final do dia.

A grande maioria das obras, produzidas entre 2004 e 2011, foram concebidas a partir da observação, da memória e da imaginação do artista, com o recurso a ajudas visuais e tecnológicas. Linhas de cercas, estradas rurais, marcas de herdades e moitas em floresta marcam todo o corpo de trabalho de The Arrival of Spring in Woldgate, East Yorkshire in 2011 (twenty-eleven). A mutabilidade da natureza é captada num trabalho composto por 52 partes. Esta vasta série consiste em 51 desenhos em iPad – Hockney usa o software Brushes – impressos sobre papel e uma pintura a óleo com 15 metros, formada por 32 telas, e preenche por completo a intimidante Gallery III da Royal Academy of Arts. Estas imagens representam o clímax de Hockney no domínio de um instrumento para trabalho visual.

A relação de Hockney com as câmaras tem existido durante toda a sua carreira, ligação a que apelidou de “idade do pós-fotografia”, onde a manipulação digital permite aumentar exponencialmente as possibilidades da forma, mas em contrapartida deteriora a sua capacidade para a veracidade. A procura de modos para representar a paisagem sempre em mutação com uma maior claridade levou Hockney a procurar novos instrumentos. Séries e séries de trabalhos numa multiplicidade de meios, como desenhos em iPhone e iPad, e filmes com nove câmaras HD. O resultado são filmes sumptuosamente detalhados, colagens cubistas em movimento, uma multiplicidade de espaço.

David Hockney começou a utilizar a câmara de vídeo digital em 2008. Em 2010, começou a utilizar nove câmaras montadas num 4 x 4, e cada uma direccionada para pontos ligeiramente diferentes. O espaço pictural expandido oferecido pela grelha de nove imagens (na sala onde são apresentados os filmes foi construído um painel com dezoito ecrãs emparelhados), representa um frame de tempo diferente, um acto em separado de intenso olhar sobre a paisagem. Esta nova abordagem técnica apresenta ecos em trabalhos anteriores, em particular em Grand Canyon With Ledge, Arizona Oct. 1982. Collage #2, made May 1986 (fotocolagem), Grand Canyon Looking North, Sept. 1982 (fotocolagem) ou Pearblossom Highway.

Para além do elemento formativo na utilização de uma ferramenta de trabalho (Brushes para o iPad da MAC) e o seu consequente marketing - o Sermão é "meus filhos as tecnologias são boas, usem-nas!", a exposição tem outra "Big Picture" - Copyright. Como visitantes, e inseridos num contexto social, transportamos a seguinte idea "As sucessivas edições de uma obra, ainda que corrigidas, aumentadas, refundidas ou com mudança de título ou de formato, não são obras distintas da obra original, nem o são as reproduções de obra de arte, embora com diversas dimensões" - o nosso Zeitgeist.
David Hockney ganhou o direito de entrar definitivamente para a História da Arte ao apresentar-se como um artista globalmente único - ao invés de ser quintessencial British - ao impor a sua marca (Trademark). Os resultados do uso de novas tecnologias digitais ao serviço da arte e do artista são extraordinários. Dedos, pincéis, câmaras escuras, máquinas fotográficas e de filmar, iPhone ou iPad são bons instrumentos de trabalho, desde que usados de uma forma inovadora, criativa e singular pelo artista. Com um iPad ele pode cumprir com o prazo de tempo permitido pela natureza. Apesar do assunto da exposição ser a paisagem de Yorkshire, na Inglaterra, a escolhar poderia muito bem ter recaído sobre outro lugar - Yosemite Valley, na California (Sala 13).

David Hockney, A Bigger Picture encontra-se patente na Royal Academy of Arts entre 21 de Janeiro e 9 de Abril de 2012. A exposição segue posteriormente para o Guggenheim Bilbao (Espanha) e depois para o Museum Ludwig, Colónia (Alemanha).

Imagens: David Hockney, The Arrival of Spring in Woldgate, East Yorkshire in 2011 (twenty eleven)- 2 January (iPad drawing printed on paper; 144.1 x 108 cm; one of a 52-part work); Nov. 7th, Nov. 26th 2010, Woldgate Woods, 11.30 am and 9.30 am (Film still); Pearblossom Highway, 11-18 April 1986 #1 (Photographic collage, 119.4 x 163.8 cm), The J. Paul Getty Museum, Los Angeles. Gift of David Hockney; Woldgate Woods, 21, 23 & 29 November 2006, 2006 (Oil on 6 canvases, 182 x 366 cm), photo credit Richard Schmidt. Courtesy of the artist. © David Hockney

A shorter version of this article can be find at Molduras: as artes plásticas na antena 2: David Hockney - " A Bigger Picture".