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Monday, 15 February 2010

Oportunidades de Trabalho

Um estudo do governo norte-americano prevê o crescimento na empregabilidade dos curadores de 23 por cento nos próximos anos, implicando alguma transversalidade e internacionalização.

Na sociedade contemporânea, o papel do curador de arte está relacionado com os mecanismos de apresentação de exposições e com toda a esfera discursiva que envolve essas encenações. Mas, em termos etimológicos, a palavra «curador» alarga-se também a alguém que é conhecedor de substâncias vegetais usadas para administrar em pessoas ou corpos – a pharmakeia (a antepassada da farmácia) –, ou quem tem a autoridade para conduzir espiritualmente uma comunidade.

Segundo dados do estudo Occupational Outlook Handbook, 2010-11 Edition (Manual do Panorama Ocupacional), sobre Arquivistas, Curadores e Técnicos de Museus, conduzido pelo Bureau of Labor Statistics, do Ministério do Trabalho dos EUA, prevê-se um crescimento na empregabilidade dos curadores de 23 por cento nos próximos anos.

Este crescimento acarretará, provavelmente, alguma transversalidade e internacionalização, a exemplo do que, de resto, acontece noutras áreas do desenvolvimento humano em função do carácter globalizante que as sociedades tendem a assumir. Nessa óptica, é já paradigmática a mobilização de personalidades de diversas proveniências no âmbito das actividades das feiras de arte nos nossos dias.

«Não há uma linha conceitual, apenas a oportunidade de dar espaço à pesquisa de um curador brasileiro em Portugal, Espanha e França», expressa Adriano Pedrosa sobre a sua participação na ARCOmadrid, este ano, como um dos curadores convidados da secção Solo Projects.

Mauro Cerqueira (1982) e André Romão (1984), oriundos de uma cena artística que Pedrosa tem vindo a pesquisa há uma década, são os dois jovens artistas portugueses que seleccionou. Os outros dois artistas são Aurelient Fromment (1976) de França e o Basco Juan Pérez Agirregoikoa (1963). «Estou muito entusiasmado com a oportunidade de mostrar dois artistas portugueses na ARCOmadrid», acrescenta Adriano Pedrosa.

No panorama actual, a natureza crítica da teoria pós-colonial implica a desestabilização da forma de pensar ocidental (EUA e Europa). Cria espaços para o subalterno ou grupos marginalizados falarem ou produzirem alternativas ao discurso dominante. E, embora seja um prazer especial para um estrangeiro apresentar artistas locais, o que realmente importa na selecção destes quatro artistas é a complexidade e a singularidade de cada uma produções, conforme é defendido pelo curador.

Complementar ao Programa Geral e à secção ARCO 40, a secção Solo Projects apresenta projectos de um artista individualmente seleccionados por uma equipa de comissários internacionais designado pela ARCOmadrid.

Curadores portugueses
Inserido na secção Curators’ Desks, destaca-se o projecto apresentado por Filipa Oliveira + Miguel Amado, que tem como ponto de encontro a repercussão e a difusão da obra dos artistas num espaço independente. Neste caso em particular, a discussão de temas da actualidade ao envolver «artistas, profissionais e público numa plataforma discursiva que evoca a radicalidade das tradições pedagógicas artísticas.»

O projecto apresentado pelo colectivo curatorial é inspirado na frase do filósofo Bertrand Russell: «Para saber algo sobre a mesa, temos que conhecer verdades que a relacionem com as coisas que conhecemos». Intitula-se Sobre a Mesa e «significa que, se uma ideia foi apresentada, disponibilizou-se para o debate público. Sendo “mesa” um objecto, “sobre a” sugere as dimensões simbólicas a si sempre associadas, que incluem comer e beber, trabalhar e falar». A iniciativa compreende dois momentos distintos: uma conversa de tópico livre entre um comissário e um artista, e uma performance-lecture instigada por um artista – este são seleccionados através de uma open call internacional.

Filipa Oliveira + Miguel Amado formam um colectivo curatorial criado em 2004, com sede em Lisboa. Das várias exposições e múltiplos projectos organizado pela dupla, destaca-se Impossible Exchange, apresentado na última edição feira de arte de Londres inserido no Frieze Projects.

Published at NS'214/IN#110, Mercado da Arte (68), (Diário de Notícias N.º 51446 e Jornal de Notícias N.º 257/122), 13 de Fevereiro de 2010, Portugal. André Romão, delfi, 2009. Courtesy Baginski Galeria/Projectos

Tuesday, 1 September 2009

Confissões de... Miguel Amado

Comissário e crítico de arte contemporânea

O meu maior erro...
Não ter saído de Portugal mais cedo.
A minha paixão secreta...
Nenhuma.
Deveria ter sido...
Treinador de futebol.
O artista que deveria ter comissariado...
João Maria Gusmão + Pedro Paiva
Coisas que me deixam acordado durante a noite...
O que tenho para fazer no dia seguinte.
O melhor vinho que apreciei em...
Bebo pouco e aprecio ainda menos.
Os galeristas são incompreendidos por...
Ninguém.
As feira de arte são importantes por...
Mostrarem o que os coleccionadores compram.
A vida é demasiado curta para...
Lamentações.

Published at NS'190/IN#086, Mercado da arte (60), (Diário de Notícias N.º 51280 e Jornal de Notícias N.º 89/122), 29 de Agosto de 2009 Portugal © Ryan McNamara