Tuesday, 9 February 2010

Imagens de assuntos banais

Peter Piller (1968, Alemanha) amplia as cópias de imagens sem foco substancial ou pormenor significativo e classifica e cataloga numa ordem não cronológica narrativas já fragmentadas. As fotografias são retiradas de jornais regionais alemães ou da colecção de imagens aéreas, de habitações, compradas a uma empresa cujo negócio encerrou na década de oitenta do passado século. Posteriormente, estas imagens são nominadas e organizadas tematicamente em clusters visuais de acordo com o acaso do gosto momentâneo do fotógrafo ou por índices visuais: círculos, setas ou carros dos fotógrafos – Fotografenauto [O Carro do Fotógrafo], por exemplo. Ao mesmo tempo, tornam-se numa oportunidade para o observador reflectir sobre os comportamentos sociais, significados históricos ou sobre a linearidade do pensamento. Em 2006, um conjunto de imagens intitulado Ungeklärte Fälle [Casos por Esclarecer] estava à venda por 37 mil euros na feira da arte de Basileia (Suíça). Presentemente, pode ser visto um largo conjunto de imagens deste fotógrafo alemão na exposição Regionales Leuchten [Brilho Regional], na Marz-Galeria (Lisboa), com valores que vão de 1500 euros a seis mil euros para algumas das imagens.

Uma pesquisa sobre o mundo contemporâneo
Inaugurou recentemente a Whitney Biennial, a mostra da arte norte-americana contemporânea que decorre no Whitney Museum of American Art (Nova Iorque), entre 25 de Fevereiro e 30 de Maio. Com 55 artistas, a edição deste ano, sem tema, apresenta-se como uma snapshot do estado actual da arte contemporânea, mas também da realidade em geral. Assim, ao invés de ser uma sucessão de mini-retrospectivas sob o mesmo título, e ao contrário de anos anteriores, a bienal apresenta unicamente uma obra ou uma série por autor.

Published at NS'213/IN#109, Mercado da Arte (68), (Diário de Notícias N.º 51439 e Jornal de Notícias N.º 250/122), 6 de Fevereiro de 2010, Portugal. Vista da exposição, Peter Piller, Regionales Leuchten, Marz-Galeria; Josephine Meckseper, Mall of America (vídeo, transferido para DVD, cor, som, 12:48min), 2001. Collection of the artist; Courtesy VG Bild-Kunst, Bonn

Monday, 8 February 2010

newsfromsantarem201002


marry ingredients to create a harmony of the senses

Os objectos do quotidiano contemporâneo

O sapato Marilyn, como metáfora da feminilidade.

Uma metáfora das expectativas e inclinações da feminilidade contemporânea: eis o sapato Marilyn. Esta e outras peças formadas por tachos e tampas em aço inox, às quais são atribuídos nomes de mulheres importantes na cultura popular. Carmen Miranda, por exemplo, é um dos nomes escolhidos por Joana Vasconcelos. As diferentes denominações contribuem para a multiplicidade de significados que as suas obras geram.

Ao explorar assuntos da esfera privada e pública, Joana Vasconcelos debate o papel tradicionalmente reservado à mulher. Conforme questiona, «as panelas são etnografia portuguesa? Não! Os talheres de plástico? Também não! São produtos culturais de uso corrente, são as formas conscientemente ignoradas do nosso quotidiano». E complementa ao afirmar que as suas peças «funcionam como uma ignição para questionar as nossas decisões e afirmações quotidianas.»

No universo artístico, uma das questões é o que a utilização de objectos do quotidiano pode dizer sobre o nosso tempo. Normalmente, esses objectos são usados para análise e estudo, quer pelos arqueólogos, sobre a história humana e através da análise de artefactos, quer pelos sociólogos, sobre o desenvolvimento, estrutura e funcionamento da sociedade humana.

Mas outra das questões é como avaliar quantitativamente uma peça de arte com menos de um ano de existência, quando ainda não teve o tempo necessário para ser inscrita no circuito de validação de obras de arte!

Concebido á menos de um ano, o sapato Marilyn, que está estimado entre 110 mil e 170 mil euros (£100 000-£150 000), é um dos 52 lotes à venda no leilão de arte contemporânea promovido pela casa Christie’s, de Londres, no dia 11 de Fevereiro.

Em Junho de 2009, a peça Coração Independente Dourado (2004) foi vendida em leilão também da Christie’s, por 129 mil euros.

Published at NS'213/IN#109, Mercado da Arte (68), (Diário de Notícias N.º 51439 e Jornal de Notícias N.º 250/122), 6 de Fevereiro de 2010. Portugal Joana Vasconcelos, Marilyn, 2009. Courtesy Christie's 2010

Tuesday, 2 February 2010

235 milhões de euros por 534 obras de arte

Durante esta semana realizam-se os leilões de impressionismo e arte moderna na Christie’s (dia 2 e 3 de Fevereiro) e na Sotheby’s (dia 3 e 4 de Fevereiro) de Londres. Entre as múltiplas obras impressionistas e de arte moderna, as duas leiloeiras apresentam uma selecção de pinturas, esculturas e obras sobre papel com o valor total estimado entre 163 milhões de euros e 235 milhões de euros, para um total de 534 lotes.

A atenção da leiloeira e de qualquer apreciador estará concentrada em três dos lotes apresentadas pela Sotheby’s (no dia 3 de Fevereiro), as pinturas a óleo Pichet et Fruits Sur Une Table, de 1893-94 (proveniente de uma colecção privada europeia), de Paul Cézanne, e Kirche in Cassone (Landschaft Mit Zypressen), de 1913 (este óleo sobre tela desapareceu da colecção de familiares do industrial do aço Austro-húngaro Viktor e Paula Zuckerkandl durante o período da Segunda Grande Guerra, e foi entretanto restituída aos seus descendentes), de Gustav Klimt, e a escultura L’Homme Qui Marche I, concebida em 1960 (da propriedade da instituição financeira Dresdner Bank AG), de Alberto Giacometti. Cada uma das peças está estimada por um valor superior a onze milhões de euros.

É raro apareceram no mercado peças desta qualidade, mas a selecção conduzida pelas diferentes casas leiloeiras e a importância da peças apresentadas só vêm confirmar o interesse dos coleccionadores em obras já emolduradas pela história da arte.

Published at NS'212/IN#108, Mercado da Arte (70), (Diário de Notícias N.º 51432 e Jornal de Notícias N.º 243/122), 30 de Janeiro de 2010. Portugal Gustav Klimt, Kirche in Cassone (Landschaft Mit Zypressen), 1913. Courtesy Sotheby's 2010

Monday, 1 February 2010

newsfromanywhere201002


when | dreams | become | reality

Espacio Atlántico

Fica na Galiza o novo lugar de peregrinação do mercado artístico português.

O Espacio Atlântico, em Vigo, apareceu este ano como uma nova feira para a arte contemporânea na Galiza (Espanha). Pelos Caminhos de Santiago, uma nova atitude e intenção no mercado da arte suportou a transformação de uma rudimentar área de comércio de arte num espaço de apreciação e compromisso qualitativo e quantitativo para com a arte contemporânea a norte de Portugal.

Com mais de trinta mil visitantes durante quatro dias, este novo lugar de peregrinação do universo artístico nacional permitiu também compreender o estado do mercado da arte contemporânea na Península Ibérica, e perceber quais as dinâmicas económicas a nível dos coleccionadores e dos galeristas, a um mês de distância da mais importante feira internacional de arte contemporânea de Espanha e, por conseguinte, para muitas galerias portuguesas, a ARCOmadrid.

Além da alteração do nome (nos três anos anteriores tinha o nome de Puro Arte) e da nomeação de um novo director artístico (o crítico de arte e curador galego David Barro), para a directora-geral da feira, Marta Scarpellini, a diferença entre esta nova feira e as edições anteriores está «fundamentalmente na qualidade, as galerias presentes trouxeram o melhor que tinham nos seus espaços».

David Barro seleccionou e atraiu à Galiza algumas das mais interessantes galerias de Espanha, como por exemplo Fernando Pradilla, Fúcares, Heinreich Enrhardt, Magda Bellotti ou Maisterravalbuena, todas de Madrid. Num total de 52 galerias de arte contemporânea surgiram incluídas ainda 15 galerias oriundas de Portugal – o galerista portuense José Mário Brandão (director da galeria Graça Brandão), Maria Arlete Alves da Silva e Rui Brito (Galeria 111) ou ainda Jorge Viegas e Lúcio Albuquerque (directores da 3 + 1 arte contemporânea), de Lisboa, foram alguns dos dealers presentes.

De acordo com informações adquiridas junto de alguns galeristas e compradores, durante o primeiro dia foram adquiridas obras de artistas por um valor global superior a quinhentos mil de euros. Um dos casos foi uma instalação de Albano Afonso (representado pela galeria Graça Brandão) adquirida por uma colecção privada, por 15 mil euros.

Distante da polémica que está a condicionar a realização da ARCOmadrid deste ano, e da emergência de mais uma feira periférica (a Just Madrid), o coleccionador galego Carlos Rosón (presidente da Fundación RAC, de Pontevedra) considerou o Espacio Atlántico um evento «importante para os coleccionadores Galegos e do norte de Portugal, mas também é importante que uma feira como esta aconteça na Galiza».

Published at NS'212/IN#108, Mercado da Arte (70), (Diário de Notícias N.º 51432 e Jornal de Notícias N.º 243/122), 30 de Janeiro de 2010. Portugal © Miguel Calvo 2010, Courtesy Espacio Atlántico